Viajar com uma criança pequena exige planejamento, flexibilidade e uma boa dose de desapego em relação ao roteiro perfeito. Mas também oferece algo que poucos momentos da vida proporcionam: a oportunidade de desacelerar, estar presente e redescobrir o mundo através dos olhos de um filho.
Nesta entrevista, conversamos com Vitória Câmara, cliente da Frika’s e apaixonada por viagens, que embarcou com o marido e a filha Catarina, de apenas um ano e cinco meses, para uma jornada que passou pela Itália, Turquia e Egito. Entre cidades históricas, paisagens deslumbrantes, aeroportos, malas e momentos de contemplação, ela compartilha como a organização tornou a viagem mais leve e por que acredita que viajar em família é uma das experiências mais transformadoras que existem.
Quem é Vitória Câmara e como nasceu essa viagem em família
1.Conte um pouco sobre você e sua família. Como surgiu o desejo de realizar essa viagem pela Itália, Turquia e Egito?
O roteiro começou a convite dos meus sogros, que elegeram a Itália como destino para comemorar 40 anos de casados. Eu , meu marido, minha filha de um ano e cinco meses, meu sogro, minha sogra, minha cunhada e seu marido ficamos seis dias na Puglia, divididos entre as cidades de Castro e Ostuni.
Já a seqüência Turquia e Egito foi planejada para eu, meu marido e minha filha encontrarmos um casal de amigos. Eu e meu marido temos um combinado de a cada ano fazer uma viagem internacional para lugares pouco convencionais. Meu sonho era conhecer Sharm El Sheik, cidade litorânea que fica ao sul da Península do Sinai entre o deserto e o Mar Vermelho. A Turquia entrou como destino adicional, pois qualquer que fosse a companhia aérea escolhida, teriamos que fazer escala lá. Então pensamos que seria uma ótima oportunidade para também conhecer.
Ao final, o roteiro se mostrou perfeito para nós, combinando cidades vibrantes, culturas milenares e momentos de descanso à beira-mar.
2. Vocês sempre gostaram de viajar ou as viagens ganharam um novo significado depois da chegada da sua filha?
Gostamos muito de viajar. Meu marido, que morou na Austrália e Nova Zelândia, gosta de viagens que envolverm surfe. Já eu trabalhei por três anos em agência de turismo e tenho predileção por lugares diferentes.
Na noite que minha filha nasceu, disse ao meu marido que assim que possível iríamos para Curaçao com ela. A Catarina nasceu em janeiro e, em fevereiro, compramos a passagem. Ela completou cinco meses lá. Meu sonho era incluir a Catarina em nossas andanças pelo mundo desde cedo, pois a qualidade de tempo em família, quando estamos de férias e longe de casa é muito grande. Fomos para Curaçao com expectativas baixas, sem fazer programações para nos adaptarmos às necessidades da Catarina. Passamos dez dias maravilhosos juntos e acabamos fazendo muitas coisas.
Eu moro em Uruguaiana, na extremidade do Rio Grande do Sul junto à fronteira com Argentina e Uruguai, mas trabalho com agricultura e pecuária em Rosário do Sul. Meu marido também se divide entre as duas cidades e a Catarina muitas vezes nos acompanha e outras fica com os avós em Uruguaina. Temos uma rotina bem puxada de trabalho e deslocamentos, por isso, sentimos falta de um tempo maior e de mais qualidade juntos.
3. Muitas pessoas acreditam que viajar com crianças pequenas é complicado. Em algum momento vocês pensaram em adiar essa experiência?
Meu marido sim, mas eu nunca pensei em adiar. É fácil viajar com uma criança de cinco meses, que mama no peito, que ainda não engatinha nem caminha e pouco se movimenta. O segredo está em escolher uma hospedagem com boa infraestrutura e adaptar as expectativas ao ritmo da criança.
Planejamento e flexibilidade para viajar com uma criança pequena
4. Uma viagem internacional com uma criança pequena exige um planejamento diferente? O que vocês começaram a organizar primeiro?
Sim. Exige um planejamento diferente, pois o roteiro não pode ser ousado e os destinos precisam ser escolhidos a dedo. Nesta viagem à Itália, compensamos os dias de atividades intensas na Puglia com o período de calmaria em Sharm El Sheik.
Na Itália, tivemos muitas trocas de hotéis, de carro e não conseguíamos estabelecer uma rotina, pois, além de Castro e Ostuni, acabamos passando por Roma, Milão e Nápolis. No Egito, foi o contrário, pois buscamos um hotel com excelente infra-estrutura e ficamos apenas lá.
5. Quais foram os principais cuidados na escolha dos destinos, hospedagens e deslocamentos?
São três os principais cuidados que temos em nossas viagens. Os vôos longos – de 10 a 12 horas – têm que ser noturnos para que nossa filha durma. Estabelecer o contraponto é fundamental, ou seja, combinar destinos mais urbanos e de progamação mais intensa e sem rotina com destinos tranquilos, voltados ao bem-estar e à contemplação. O terceiro ponto é viajar sem expectativas rígidas, pois a qualquer momento, a programação poderá ser desfeita por conta de uma virose, uma dor de barriga ou algo que possa acontecer com nossa bebê.
6. Qual foi o papel da organização para que a viagem acontecesse de forma tranquila?
Eu sou super organizada para viajar e tenho grande prazer em planejar uma viagem. Faço planilhas com todos os códigos de reservas de trens, vôos e hotéis. Gosto de estudar sobre os destinos, pois adoro História, e busco saber quais são os restaurantes e passeios bacanas.
Organização da mala: o segredo para uma viagem mais tranquila
7. Quem já viajou com crianças sabe que a bagagem costuma aumentar bastante. Como vocês organizaram as malas dessa viagem?
Inicialmente, pensamos em viajar apenas com duas malas de mão. Mas depois optamos por cada um ter sua. Então despachamos uma mala de 23 quilos e levamos na cabine duas malas de 12 quilos. Despachar mala sempre atrapalha, mas para esse roteiro de muitos dias se fez necessário. A Catarina teve vômito e diarréia em Roma e agradecemos pela decisão de viajar com uma mala só para ela com mais roupas.
8. Quais itens da sua filha precisavam estar sempre à mão durante voos, passeios e deslocamentos?
Na nécessaire da Catarina – uso a Nécessaire Lyz da Frika’s, que é uma mini mala -, colocamos algodão para limpeza, pomada Bepantol, aspirador de nariz, mamadeira, termômetro, Tylenol, remédio para estômago e pote com as doses do leite em pó.
9. Como os organizadores de mala e nécessaires ajudaram na rotina da viagem?
Para quem tem bebê, organizador de mala é fundamental para qualquer tipo de viagem, seja longa ou de fim de semana, porque é muito prático achar as coisas. Eu adoro o Organizador de Mala Trio Cora da Frika’s, porque setorizo as roupas da Catarina por roupas mais arrumadas, dia a dia e praia. Dependendo do tipo de viagem, não dá pra desfazer a mala, então fica tudo organizado ali e fácil de achar. Outras vezes, basta retirar o organizador da mala e colocá-lo diretamente na gaveta do hotel.
10. Existe algum momento específico da viagem em que você percebeu o quanto estar organizada fez diferença?
Nesta viagem, não precisei pegar nada que não estivesse à mão. Não precisei levantar do assento para pegar um lenço sequer. Tudo estava na Mochila Loulou, que coloquei nos meus pés. É muito raro eu passar perrengues, pois faço checklist de tudo.
11. Que conselho daria para mães que estão planejando a primeira viagem internacional com filhos pequenos?
Não gere expectativas, não crie roteiros com muitas atividades, pois elas podem não acontecer por uma dor de barriga, uma febre ou algo do gênero. Foque na qualidade do tempo em família, na beleza de ver a criança descobrir o mundo, na felicidade dela desfrutar dias inteiros com pais que têm rotina puxada de trabalho. Não planeje viagens apenas com obrigações de passeios; privilegie a leveza e a calmaria dos momentos em família.
Itália, Turquia e Egito: destinos, descobertas e encantamento
12. Quais cidades fizeram parte do roteiro?
Na Itália, fizemos Roma, Milão, Nápolis, Castro e Ostuni. Na Turquia, visitamos Istambul e no Egito ficamos em Sharm El Sheik.
13. Houve algum destino que surpreendeu especialmente vocês?
Sharm El Sheik já estava no meu radar há muito tempo, mas definitivamente, me surpreendeu. A infra-estrutura do Four Season, onde ficamos hospedados, é incrível sem falar da sua localização, que é próxima ao Monte Sinai, onde, segundo a tradição, Moisés recebeu os Dez Mandamentos. Uma curiosidade incrível é que, na base do Monte Sinai, está o monastério em funcionamento contínuo mais antigo do mundo (400 d.C.), o monastério de Santa Catarina. Imagine só o significado disso pra mim e meu marido, que escolhemos batizar nossa filha Catarina. Sharm El Sheik entregou tudo: História, religião, natureza sublime, trekking no Monte Sinai e mergulho no Mar Vermelho.
Istambul também me surpreendeu bastante por sua arquitetura, História, gastronomia e por seu povo acolhedor.
14. Como foi vivenciar lugares tão diferentes culturalmente tendo uma criança pequena junto?
Levei potes térmicos para frutas e ter sempre à mão para oferecer à Catarina. Também sempre tivemos o cuidado de adaptar os cardápios dos restaurantes a ela. Mas procuramos educar a Catarina para que ela não seja uma criança com hábitos rígidos de alimentação ou manias. Procuramos fazer com que ela coma o que nós dois comemos e que se adapte bem a lugares culturalmente diferentes.
15. A recepção dos italianos, turcos e egípcios às famílias com crianças chamou sua atenção de alguma forma?
Ficamos encantados com o tratamento e a atenção que nossa filha recebeu na Turquia e no Egito. Na Itália foi diferente. Mas acho que isso é um comportamento geral do europeu, que muitas vezes não é receptivo à criança pequena e às ordas de turistas.
Os desafios e as surpresas de viajar com filhos
16. Qual foi o maior desafio da viagem?
Sem dúvida, o início dela, que foi muito cansativo. Para sair de férias, eu sempre preciso deixar muita coisa organizada. Então, no início da viagem eu estava exausta. Eu não dormi nos vôos São Paulo, Lisboa, Milão e Bríndise. E de Bríndise a Castro, alugamos um carro e dirigimos por uma hora e meia.
17. E qual foi a maior surpresa positiva?
A natureza do Egito, especialmente na região onde o deserto encontra o Mar Vermelho, foi um dos pontos altos da viagem. É uma paisagem de beleza difícil de descrever. O silêncio, a imensidão do deserto e o céu incrivelmente estrelado criam uma atmosfera contemplativa que convida à reflexão. Foi uma experiência que nos marcou profundamente.
Como a maternidade transforma a forma de viajar
18. Você acredita que viajar com uma criança faz os adultos observarem o mundo de outra maneira?
Me considero uma pessoa encantada com o mundo, principalmente quando viajo. Tudo me toca, me fascina e sinto que com a Catarina isso se intensificou. Intensificou porque me emociono de ver as descobertas e o encantamento dela em cada viagem.
19. Existe alguma lembrança dessa viagem que você acredita que ficará para sempre na memória da família?
A felicidade da Catarina era visível por ter seus pais presentes 24 horas por dia. Criança precisa de presença e, na rotina, isso nem sempre é possível.
Viajar em família como escolha de vida
20. Depois dessa experiência, você acredita que é possível continuar viajando e explorando o mundo mesmo com filhos pequenos?
Sem dúvida! Já estamos pesquisando o próximo destino que será Vietnã e Malásia.
21. Para você, qual é a importância de proporcionar experiências de viagem para as crianças desde cedo?
Viajar faz com que as pessoas fiquem mais flexíveis e maleáveis. A Catarina é uma criança fácil e colaborativa, pois viaja desde cedo. Mas, acima de tudo, proporcionamos essas experências a ela para que cresça aberta às diferenças, respeitando pessoas, culturas e modos de vida distintos.
22. Qual foi a maior lição que essa viagem ensinou à sua família?
Essa viagem apenas confirmou minha crença de que, quando estamos abertos ao mundo, somos constantemente surpreendidos de forma positiva. Ouvir o outro sem preconceitos e com o coração aberto nos conecta ao que existe de mais bonito na experiência humana.
