Quem é Letícia Barth dos Santos?
Nasci na Serra Gaúcha, em Caxias do Sul, mas logo nos mudamos para uma cidade próxima, Vacaria, onde vivi até os dez anos. Desde então, moro em Porto Alegre.
Venho de uma família de mulheres — somos quatro irmãs! Sou mãe da Clara, médica de família e comunidade, e advogada especializada em Direito de Família e Sucessões.
Em que momento da sua vida surgiu o tango?
O tango está presente na minha vida desde sempre. Minha mãe cantava tangos para eu dormir e, à medida que eu crescia, passou a traduzir as letras para que eu pudesse compreender a beleza das canções.
Em casa, também tínhamos o hábito de assistir a filmes sobre tango. Lembro especialmente de um que vi ainda em fita VHS e que me marcou muito: A Lição de Tango. A narrativa apresentava as famosas milongas, os salões onde se dança tango.
Além disso, sempre fui muito ligada ao folclore e à música latino-americana de maneira geral. Mas foi somente há dez anos, quando completei 46, que comecei a fazer aulas em Porto Alegre. Foi uma experiência mágica!
O que estava acontecendo naquela fase da sua vida?
Eu estava solteira, profissionalmente bem estabelecida e minha filha já era adulta. Comecei a fazer aulas de tango em Porto Alegre e, apenas cinco meses depois, já estava indo a Buenos Aires para dançar.
A comunidade do tango na capital gaúcha é pequena, ao contrário da capital portenha, que recebe pessoas do mundo inteiro atraídas pelo ritmo.
Quando o tango se tornou parte da vida
Em que momento você percebeu que o tango já não era apenas uma atividade, mas parte da sua vida?
Percebi que o tango não seria apenas uma atividade, mas parte da minha vida, assim que comecei a fazer as aulas em Porto Alegre. Foi naquele momento que entendi que era exatamente o que eu queria.
O tipo de abraço e de comunhão que o tango proporciona é genuíno. Embora seja um ritmo sedutor, os bailes são muito respeitosos. Nas milongas, inclusive, costuma-se beber pouco, pois o dançarino precisa manter o equilíbrio e a consciência corporal.
Por tudo isso, criam-se ambientes saudáveis, de comunhão, pertencimento e acolhimento.
O que mudou na sua rotina, nas amizades e na forma de enxergar o tempo livre?
Meu círculo de amizades se ampliou consideravelmente, e hoje tenho amigas inseparáveis graças ao tango.
Essa comunidade mundial à qual pertenço me permite conhecer pessoas de diferentes idades, culturas e estilos de vida. Em Buenos Aires, há inúmeras milongas todas as noites, realizadas em espaços com perfis muito diversos.
Há dançarinos jovens e maduros, além de milongas queer, nas quais mulheres dançam conduzindo outras mulheres e homens conduzem outros homens. É um universo muito plural.
Entre raízes e liberdade
Como Buenos Aires passou de destino de viagem a um lugar tão importante na sua vida?
Buenos Aires é uma referência muito forte para mim por vários motivos, além do próprio tango. Minha irmã mais velha foi casada com um argentino e morou na capital portenha durante 20 anos.
Passei a visitar a cidade com certa regularidade e fui me encantando com sua vibração, sua intensidade e suas infinitas possibilidades culturais. Falo espanhol fluentemente e meu vínculo com a cidade foi se tornando cada vez mais estreito, a ponto de eu decidir comprar, com minha irmã mais velha, um apartamento no bairro de Palermo.
Com seus cafés, teatros, shows e milongas, Buenos Aires oferece muitas oportunidades para as pessoas maduras. É uma cidade menos apegada ao etarismo. Lá, as pessoas mais velhas são respeitadas e desfrutam tudo o que a cidade oferece.
O que a cidade representa para você hoje?
Porto Alegre representa minhas raízes, pois é onde estão minha filha, minhas irmãs e minhas amigas de infância. Buenos Aires, por sua vez, representa a liberdade de ir e vir.
Embora o portenho tenha um temperamento mais reservado e seja, muitas vezes, menos disponível do que o brasileiro, sinto que a vida cotidiana lá é mais simples e oferece mais possibilidades.
A companheira inseparável
Como a mochila Loulou passou a fazer parte dessas viagens?
Quando vi a Loulou no Instagram, me apaixonei por ela! Percebi imediatamente que seria perfeita para carregar meus sapatos de tango.
Ela é leve, confortável, maleável e compacta, mas tem um ótimo espaço interno. Tornou-se minha maior companheira quando estou em Buenos Aires, pois passo o dia inteiro com ela.
A Loulou me acompanha nas milongas, nos cafés, nas livrarias, nos restaurantes e em todos os lugares aos quais decido ir.
O que normalmente vai dentro dela?
Há três coisas que nunca saem de dentro da minha Loulou: meus sapatos de tango, que guardo previamente em um saquinho; meu celular; e a chave de casa.
Essas três coisas são sagradas!
Por que ela se tornou a companheira ideal para seus dias de tango?
Além de toda a praticidade e do conforto que oferece, a Loulou é um acessório cheio de personalidade. É uma mochila que me abraça e me faz sentir descolada, leve e muito à vontade comigo mesma.
Se pudesse conversar com a Letícia de dez anos atrás, o que diria?
Eu perguntaria: “Por que não começaste a dançar antes?”
O tango descortinou um mundo completamente novo para mim. Meu maior desejo é que as pessoas que amo também encontrem e vivam uma paixão assim.
Que conselho você daria para uma mulher que sente vontade de começar algo novo, mas acha que já passou da idade?
Não existe idade para nada na vida, e Buenos Aires é uma cidade que comprova isso. Usar a idade como argumento pode se tornar uma grande desculpa para quem tem medo de mudar.
A tarefa mais difícil é encontrar uma paixão que gere movimento, que nos leve à ação, como o tango faz comigo.
Seja aos 50, 60 ou 70 anos, ainda existe muita vida boa pela frente.
As dicas da Letícia para viver Buenos Aires como uma local
💃 Milongas que você não pode deixar de conhecer
O Yira Yira, realizado no Club Gricel, é mítico e emblemático.
Instagram: @yirayiramilonga
O Marabú é um salão lendário e um dos endereços tradicionais do tango portenho.
Instagram: @salonmarabu
☕ Um café ao qual sempre gosto de voltar
O Café La Biela, com suas receitas argentinas clássicas. Destaco a panqueca de banana, que, para mim, é a melhor do mundo!
Instagram: @labielacafe
📚 Uma livraria imperdível
A El Ateneo Grand Splendid, instalada em um antigo teatro, é uma verdadeira obra de arte e uma das livrarias mais conhecidas do mundo.
Instagram: @elateneograndesplendid
🍷 Meus restaurantes favoritos
O Lo de Jesús tem uma excelente parrilla, com carnes argentinas fartas, pão caseiro preparado na hora e uma ampla carta de vinhos.
Instagram: @lodejesus
O Sarkis oferece uma excelente culinária armênia, com porções generosas e atendimento impecável.
Instagram: @restaurantesarkis
O El Preferido, localizado numa esquina linda de Palermo, é conhecido por suas milanesas maravilhosas.
Instagra: @elpreferidodepalermo
O Bis Bistró, do chef Gonzalo Aramburo, fica na chamosa Pasaje del Coreo e é um ótimo restaurante para almoçar ou jantar com preço justo.
Instagram: @bisbistro
🌳 Um lugar para caminhar sem pressa
Os Bosques de Palermo, uma das principais áreas verdes de Buenos Aires, reúnem natureza, cultura e lazer em um só lugar.
🛍️ Um bairro que adoro explorar
San Telmo, um dos bairros mais tradicionais de Buenos Aires, com seus casarões antigos, antiquários, mercados e ruas charmosas.
🎭 Um programa que poucos turistas conhecem
Comer um choripán em frente ao Aeroparque Jorge Newbery. Esse é um programa que aparece em várias séries e filmes argentinos e faz você se sentir uma verdadeira portenha.
✈️ Minha dica para quem visita Buenos Aires pela primeira vez
Percorrer a Plaza de Mayo e conhecer a Casa Rosada e a Catedral Metropolitana. Pode parecer um roteiro clichê, mas é realmente imperdível.
O que vai na mochila Loulou da Letícia?
- Sapatos de tango
- Nécessaire com maquiagem
- Carteira
- Celular
- Chave do apartamento
